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O futuro incerto dos cigarros eletrônicos

O futuro incerto dos cigarros eletrônicos

As gigantes do tabaco estão finalmente apostando nos cigarros eletrônicos. A Altria Group Inc. MO -0.12% e a Reynolds American Inc. RAI -0.30% já respondiam, juntas, por cerca de 25% das vendas do produto em lojas de conveniência dos Estados Unidos, poucas semanas depois de terem lançado esses dispositivos no país.

A surpresa, porém, foi que, depois de três anos de rápido crescimento, as vendas dos cigarros eletrônicos nessas lojas começaram a cair. Isso põe em dúvida os métodos que a Altria e a Reynolds — que já dominam o mercado americano de tabaco, com uma participação conjunta de 75% — estão usando para vender cigarros eletrônicos. Ainda não está claro se o futuro dessa nova moda está ameaçado.

Cerca de sete em cada dez cigarros normais são vendidos em lojas de conveniência. É nelas que a Altria, fabricante do Marlboro, está distribuindo o seu cigarro eletrônico MarTen, e a Reynolds, dona do Camel, está lançando o Vuse. Também são nessas lojas que a terceira colocada no setor de tabaco dos EUA, a Lorillard Inc., LO -0.32%já é a principal vendedora de cigarros eletrônicos, com o Blu. Todas elas desejam atrair o pequeno, mas crescente, número de fumantes que estão migrando para esses aparelhos, que transformam em vapor um líquido contendo nicotina e que, supostamente, seriam menos tóxicos que os cigarros.

Mas as vendas dos cigarros eletrônicos nos EUA estão se transferindo, cada vez mais, para as milhares das recém-abertas “vape shops”, lojas especializadas onde consumidores podem comprar “vaporizadores” reutilizáveis que podem conter um volume de líquido cinco vezes maior que as versões menores e lacradas (mais parecidas com cigarros) que a Altria e a Reynolds estão lançando. Essas lojas também vendem por atacado centenas de líquidos aromatizados que podem ser misturados e usados com os aparelhos mais baratos de dezenas de outros fabricantes.

Não só os vaporizadores custam menos, mas seus aromas são mais divertidos. Isso ameaça o modelo da Altria, Reynolds e Lorillard, cujos cigarros eletrônicos têm que ser reabastecidos com cartuchos do mesmo fabricante. No primeiro semestre, a Lorillard já sofreu uma queda de 23% nas vendas de seu cigarro eletrônico, para US$ 88 milhões.

O declínio nas vendas está aumentando as incertezas em torno dos cigarros eletrônicos, que também estão sob vigilância crescente dos reguladores. A Organização Mundial da Saúde, uma agência das Nações Unidas, recomendou recentemente que os governos limitem a publicidade do aparelho, o uso em lugares fechados e os sabores de frutas e doces, mais atraentes para os jovens. A FDA, órgão que regula alimentos e remédios nos EUA, propôs, em abril, a proibição das vendas para menores de 18 anos e a adoção de rótulos de advertência.

No Brasil, a comercialização de cigarros eletrônicos foi proibida em 2009 por uma resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. A Anvisa afirma que não há planos de rever a decisão até que haja comprovação clínica e científica da eficácia e da segurança do produto.

Souza CruzCRUZ3.BR +0.86% líder no mercado brasileiro de cigarros convencionais, informa que não pode se aprofundar na discussão dos cigarros eletrônicos por causa da proibição, mas afirma que se preocupa com a questão do contrabando, um problema que já afeta seu negócio tradicional.

British American TobaccoBATS.LN +0.44% controladora da Souza Cruz, já comercializa o produto no Reino Unido. O aparelho da BAT, o VypeHa, já está disponível em mais de 10 mil estabelecimentos, informa a Souza Cruz, acrescentando que existem estimados 1,3 milhão de usuários de cigarros eletrônicos no Reino Unido, contra 700 mil em 2012.

Nos EUA, a fatia das vendas da Altria e da Reynolds nas lojas de conveniência atingiram 14% e 11%, respectivamente, no período de quatro semanas encerrado em 2 de agosto, depois que ambas fizeram lançamento nacional de seus cigarros eletrônicos, em junho, informa o banco Wells FargoWFC +0.21% citando dados da Nielsen. Mas as vendas gerais de cigarros eletrônicos em lojas de conveniência recuaram 7,5% no mesmo período, para US$ 41,4 milhões.

As vendas de cigarros eletrônicos também caíram 3,8%, para US$ 172 milhões, nas 12 semanas terminadas em 10 de agosto, em lojas de conveniências e outros varejistas tradicionais, como supermercados e drogarias, segundo a IRI. As vendas acumuladas até agora no ano nesses pontos subiram 12%, após terem saltado 150% em cada um dos dois anos anteriores e cerca de 475% em 2011, informa a firma de pesquisa de mercado.

Não há estimativas confiáveis de vendas dos “vape shops”, que normalmente não vendem os cigarros eletrônicos das grandes fabricantes. Mas a Associação de Comércio para Alternativas Livres de Cigarro, um grupo do setor, projeta que o número dessas lojas especializadas mais que triplicou, para 35 mil, nos últimos 12 meses. Isso inclui novatas como a Avail Vapor LLC, que oferece mais de 70 sabores de líquidos para vaporizadores e abriu sua primeira loja há um ano em Richmond, Virgínia, onde a Altria é sediada. A Avail tem agora 13 lojas espalhadas pelos Estados de Virgínia, Maryland e Carolina do Norte e planeja abrir mais 30 ou 40 lojas neste ano, diz um dos fundadores, Cole Smith. Ela não pretende vender produtos da Altria, Reynolds ou Lorillard.

A explosão dessas lojas especializadas e das vendas na internet continuam a impulsionar o crescimento do cigarro eletrônico, dizem observadores do setor. Bonnie Herzog, analista do Wells Fargo para a indústria do tabaco, calcula que o mercado total de cigarros eletrônicos atingiu US$ 2,5 bilhões, ante US$ 1,7 bilhão no ano passado, com os vaporizadores crescendo duas vezes mais rápido que os aparelhos mais semelhantes aos cigarros convencionais.

A Altria e a Reynolds descartam a ameaça dos vaporizadores. As duas observam que ainda estão no início do lançamento de seus cigarros eletrônicos, o MarkTen e o Vuse, que são vendidos em cerca de 60 mil e 20 mil lojas, respectivamente. Já o Blu, da Lorillard, é vendido em mais de 150 mil lojas. A Altria e a Reynolds planejam, nos próximos meses, ampliar a venda dos cigarros eletrônicos em sua vastas redes de distribuição, que formadas por mais de 300 mil estabelecimentos.

Alguns observadores do setor, entretanto, tornaram-se mais céticos quanto às perspectivas de crescimento dos cigarros eletrônicos. Embora metade dos 40 milhões de fumantes já tenha experimentado os cigarros eletrônicos pelo menos uma vez, segundo estimativas, a esmagadora maioria ainda continua preferindo um cigarro tradicional. Isso sugere que eles não acharam as atuais versões de cigarros eletrônicos satisfatórias o suficiente para fazê-los mudar para elas.

“O julgamento ainda não terminou” em termos do tamanho que o setor de cigarros eletrônicos pode atingir, diz Michael Lavery, analista de tabaco da corretora CLSA. Dependerá muito do quanto a tecnologia vai melhorar nos próximos anos, acrescenta.BN-EG709_ECIG08_G_20140826131902

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